Pare de se comparar e comece a viver. O peso oculto das comparações injustas.
- José Luis das Chagas

- há 6 dias
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É quase inevitável: abrimos uma rede social ou entramos em uma reunião e, em segundos, nosso cérebro começa a "medir" nossa vida em relação à vida do outro. Como psicólogo clínico, recebo diariamente pessoas talentosas e dedicadas que, no entanto, sentem-se estagnadas. O motivo? Elas estão presas na armadilha da comparação.
O Palco vs. O Bastidor
O grande erro da comparação moderna é a desproporção dos dados. Nós comparamos o nosso bastidor — que inclui nossas inseguranças, o cansaço matinal, as contas a pagar e os dias de dúvida — com o palco alheio. O palco é o recorte, a edição, o momento de sucesso que o outro escolheu exibir.
Quando você se compara dessa forma, a conta nunca fecha. Você está comparando a sua totalidade humana com a vitrine de outra pessoa.
A Perspectiva da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
Dentro do consultório, trabalhamos para entender que a comparação excessiva é, muitas vezes, uma distorção cognitiva chamada comparações injustas. O cérebro cria uma lente enviesada que filtra apenas o que o outro tem de "melhor" e o que nós temos de "pior".
Mas como quebrar esse ciclo na prática? Além de identificar esses pensamentos, convido meus pacientes a um exercício de flexibilização:
1. A Técnica do "E o resto?": Ao observar o sucesso de alguém e sentir o peso da inferioridade, tente completar a imagem. Pergunte-se: "O que essa pessoa precisou sacrificar para chegar ali? Eu estaria disposto a viver a rotina dela por completo, com os ônus e os bônus?".
2. Troque a Régua: A única comparação justa é aquela feita com quem você era ontem. O progresso real é percebido quando olhamos para a nossa própria linha do tempo.
3. Identifique seus Valores: Muitas vezes nos comparamos com pessoas que possuem objetivos de vida completamente diferentes dos nossos. Se o seu valor é a "liberdade", por que sofrer ao se comparar com alguém que prioriza o "status" através de uma rotina exaustiva?
Buscando uma jornada mais leve
A saúde mental não consiste em nunca mais se comparar — somos seres sociais e isso faz parte da nossa natureza. A saúde mental reside em não deixar que a vida do outro se torne o único parâmetro para a sua felicidade.
Se você sente que a sua autoconfiança está sendo drenada pela vida alheia e que, por mais que conquiste coisas, nunca parece ser o suficiente, a psicoterapia pode ajudar a reajustar essa bússola interna.
Agende uma consulta para conversarmos sobre sua trajetória.





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